Sucesso do empreendimento não é só faturamento, diz Bel Pesce

Eleita empreendedora do ano e uma das 100 pessoas mais influentes do Brasil em 2012, Bel Pesce já é reconhecida como uma referência no mundo dos negócios no país. Por onde passa, a jovem de 25 anos costuma arrastar pequenas multidões de pessoas interessadas em ouvi-la falar sobre empreendedorismo e inovação. Não foi diferente na última passagem dela por Porto Alegre, durante palestra feita em outubro passado. Diante de uma plateia formada por jovens estudantes e até por empresários mais experientes, Bel Pesce falou sobre sua trajetória profissional, sobre o começo no mundo do empreendedorismo e deu conselhos para quem quem deseja trilhar esse caminho. Para ela, empreender não pode ser uma opção apenas para ganhar dinheiro. “O que me faz acordar de manhã não tem nada a ver com os números do faturamento. Tem relação com o quanto eu toco vidas e quantas vidas me tocam. Para mim, esta é a métrica do sucesso. O foco está em criar algo que realmente solucione um problema ou agregue uma necessidade. Se você conseguir fazer isso, dá para ganhar dinheiro de outras maneiras”, disse Bel em entrevista ao G1. Apesar da pouca idade, a jovem acumula um currículo respeitável. Sua trajetória começou aos 18 anos, quando ela foi estudar no prestigiado MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Nos Estados Unidos, ela se formou em engenharia elétrica, ciências da computação, administração, economia e matemática, além de trabalhar em grandes empresas como o Google, o Deutsche Bank e a Microsoft.

Apesar da pouca idade, a jovem acumula um currículo respeitável. Sua trajetória começou aos 18 anos, quando ela foi estudar no prestigiado MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Nos Estados Unidos, ela se formou em engenharia elétrica, ciências da computação, administração, economia e matemática, além de trabalhar em grandes empresas como o Google, o Deutsche Bank e a Microsoft.

A "Menina do Vale do Silício" No Vale do Silício, Bel fundou empresas na área de tecnologia. Com a experiência adquirida na teoria e na prática, escreveu dois livros (“A Menina do Vale” e “Procuram-se Super-Heróis”, ambos com dicas sobre empreendedorismo) e só recentemente resolveu retornar ao Brasil. Há cerca de seis meses, ela montou a empresa FazInova, uma escola para descobrir e desenvolver novos empreendedores. “A gente descobre talentos, desenvolve talentos e conecta talentos com o intuito de criar novos projetos que mostrem o quanto talentoso o nosso país é. E quando eu digo projetos, não é começar empresas apenas. Pode ser escrever um livro, pode ser criar uma música, pode ser começar um programa de TV. É esse lance de fazer projetos acontecer”, conta. Quando questionada sobre ter um lado especial que a diferencia da multimão, Bel diz que se considera uma pessoa “bem comum”. Porém, admite que o seu diferencial está na persistência que ela tem com relação aos seus projetos pessoais e profissionais. “Eu não sou especial em nada, sou apenas interessada em coisas, em saber como as coisas podem funcionar para melhor. Fico nervosa em não conseguir fazer isso. Para mim, o 100% não é ter a ideia, o 100% é colocar essa ideia em prática ou aprender que ela não funciona e partir logo para outra ideia”, comenta. Bel conta que a palavra empreendedorismo não fazia parte do seu vocabulário antes dela sair do Brasil. Ela foi descobrir o significado disso somente depois que resolveu participar de uma competição de planos de negócios. Desde então, descobriu sua paixão e não parou mais. “Quando eu comecei a entender que existia uma carreira que é relacionada a observar o mundo e perceber as suas necessidades, eu notei que durante toda a minha vida eu tinha feito algumas coisas bem ligadas a esse ponto, só que sem ter noção”, conta a empresária, que era viciada em videogames e projetava novas ideias de jogos com sete anos de idade.

Dicas para novos empreendedores Durante a palestra em Porto Alegre, a “Menina do Vale” elencou alguns pontos básicos que devem ser levados em consideração quando o assunto é empreendedorismo e os primeiros passos para conseguir alavancar um negócio de forma positiva. A primeira dica dada por ela é saber ouvir outras pessoas. Para Bel esta também é uma forma de aprender. “Escute as entrelinhas, escute de verdade. Olhe para a pessoa e faça perguntas. Tem muita gente que já fez muita coisa legal por aí que você pode aprender, até encontrar as pequenas coisas que te energizam”. Outro passo é a inquietação. Muitas vezes ela é positiva, mas dependendo do caso, ser muito inquieto pode prejudicar no foco do negócio. Segundo ela, a nova ordem requer que cada vez menos exista uma diferença entre trabalho e vida. “Isso é maravilhoso, mas é preciso ter estruturas para que essa nova ordem funcione e o Brasil não tem, seja com relação às leis ou seja com relação às forma de pensar”, avalia. O terceiro ponto que Bel aponta é com relação à pessoa. A falta de foco pode ser boa em alguns casos, pois estimula o aprendizado de coisas novas. Porém, é preciso ter um objetivo bem definido na vida. “Você precisa se agarrar a algo como sua missão e eu acho que é isso que falta. O que não pode é ficar entediado, mas as pessoas estão ficando assim. E isso é uma fuga e não um propósito”, analisa. A última dica é com relação ao dinheiro. De acordo com Bel, o foco de qualquer negócio não deve ser apenas o lucro, mas também seria incoerente não pensar nele. Para ela, a métrica do sucesso transcende as cifras e tem a ver com as pessoas envolvidas no processo. “Não dá para ser hipócrita. Uma empresa sempre no vermelho vai fechar. Não adianta ter a melhor das intenções para algo que vai durar um mês”, ensina.