Construindo a identidade digital de sua empresa

Em 2011, Cristiano Santos dava uma volta, como de costume, pelo Facebook quando se deparou com um anúncio de uma companhia aérea comemorando a marca de oito milhões de passageiros transportados desde a inauguração. Como bom usuário de mídias sociais, Cristiano resolveu interagir e sugeriu em um comentário no post que a empresa concedesse aos clientes, em celebração à meta atingida, passagens a simbólicos R$ 8. A sugestão foi o comentário mais curtido daquela publicação. O sucesso foi tão grande entre os seguidores da página, que ele resolveu criar um evento no Facebook convocando usuários a se mobilizarem pela causa. Mais de 25 mil pessoas confirmaram presença e o ato se tornou uma campanha, com usuários cobrando em quase todos os posts da companhia aérea uma posição sobre o assunto. A insistência foi tanta que a marca, percebendo a visibilidade que o assunto havia ganhando, atendeu ao pedido dos usuários e realizou a venda de passagens a R$ 8, com dia e hora específicos. Mais do que isso: graças ao episódio, Cristiano foi convidado a inaugurar a equipe de mídias sociais da Editora Globo. Hoje, ele é responsável pela estratégia digital de 18 marcas do grupo. Logo nos primeiros dias, o atual Analista de Mídias Sociais foi convidado a contar sua história para editores de publicações da casa. Ressaltou que os principais aprendizados com o caso foram 1) É preciso ouvir e dar atenção prioritária aos clientes. Se as marcas não estiverem atentas ao que o público deseja, a atuação dela nas mídias sociais vai falhar 2) É preciso estar alerta para todo tipo de buzz que surge no ambiente digital – principalmente, é claro, se eles envolverem sua marca – e saber tirar o melhor proveito disso. Em síntese, dentro do ambiente digital as empresas têm que dialogar ou dialogar. “Não adianta entrar nas redes sociais se você achar que esse vai ser apenas mais um canal de distribuição”, defendeu Cristiano durante a sexta edição do Bate-Papo Empreendedores Criativos, realizada na última quinta-feira (21/11) no espaço criativo do Cemec. Com o tema Identidade Digital – e curadoria da Campus Party Brasil -, o encontro reuniu comunicadores, empreendedores e entusiastas para debater a presença das empresas nas mídias sociais. “Eu, como consumidor, tenho que acreditar que por trás daquilo [perfis] existe alguém. Que é uma pessoa e não uma máquina. E não só alguém que fale, mas que esteja interessada também naquilo que eu quero falar”, acrescentou. Para que essa comunicação aconteça, alguns cuidados são necessários. Não fugir do “DNA da marca” é um conselho que Cristiano considera válido. “Tem que haver cuidado com a linguagem para que ela esteja de acordo com aquilo que a marca é. É preciso sentir o público”, disse. Diego Remus, editor-chefe do site Startupi e um dos convidados do bate-papo, assentiu. “A internet pode te ajudar a criar um modelo de negócios: formatar o produto e identificar as experiências que os clientes procuram”, declarou. Ele ilustra que, antes do advento da internet, a publicidade era feita por “push” (empurrão) em que as empresas ofereciam ad nauseum produtos e serviços aos consumidores. Hoje, a forma de se aproximar de potencias clientes se assemelha mais ao “pull” (puxar), estar atento as pistas e hábitos que as pessoas apresentam no ambiente virtual e “pescá-las”. No caso dos empreendedores criativos, ele afirma, a dica é praticar o desapego. “Aceitar que o produto que você idealizou pode sofrer mudanças. O produto é feito para o mercado, para os clientes. Se não for, faça um e ponha no seu quarto”, brincou. Para Diego, a grande dificuldade dos negócios atuais não é construir algo, mas conseguir vendê-lo. O acesso às ferramentas de produção está cada vez mais fácil. O ônus – para as empresas, não para os clientes – é que surgem cada vez mais opções e se destacar entre elas se torna cada dia mais complicado. Nesse cenário, se diferencia quem tem um contato mais próximo com o público e consegue reconhecer e suprir suas necessidades. É necessário criar valor a partir das coisas e esse valor que tem que ser comunicado. “Um consultor de marketing me disse uma vez que empresas o procuram perguntando ‘como faço para ser mais interessante’ e ele responde ‘seja o mais interessado’”, contou Diego. “Vai haver cada vez mais gente entendendo de como integrar a tecnologia e como estruturar um negócio sustentável. Essas duas coisas só vão servir para produtos que comuniquem com as pessoas.”